Arquivo | agosto, 2008

Cantoria é brasilidade

30 ago

Lembro de um acampamento, lá por mil novecentos e oitenta e algo, no interior do Rio Grande do Sul, no meio do caminho entre Caxias do Sul e Vacaria, à beira do Rio São Marcos, numa daquelas rodas de viola em volta da fogueira, que se aproximou um casal, ele com o violão nas costas, ela com uma flauta-doce e juntaram-se a nós.

O meu pessoal cantava muito samba-canção, muito Chico, João Bosco, Milton… e, aquele casal introduziu uma música que não conhecíamos. Tratava-se de música regional nordestina. Aquele som entrou suave nos ouvidos e foi tomando conta do coração. Eu já era curiosa e, assim que tive oportunidade, fui ter com eles para saber que músicas eram aquelas, quem eram os compositores, etc.

Eles me contaram que estavam viajando pelo país, conhecendo culturas e então me falaram de uns tais de Elomar, Xangai, Vital Farias, Geraldo Azevedo… e, para não esquecer dos nomes, anotei tudinho.

Quando voltamos para casa, passei semanas e mais semanas percorrendo todas as lojas de discos em busca desses nomes. Não encontrei. Eles não tinham invadido o Rio Grande do Sul, ainda. E se justifica por um certo conservadorismo local e preconceito à música nordestina, que naquela época, ainda era mais forte.

Até que um dia minha mãe comentou que haviam chegado novos colegas na empresa em que trabalhava. Todos nordestinos. Pedi à ela que me apresentasse. E, tão logo os conheci, tratei de perguntar sobre os quatro moços. Vivaaaaaaa! Eles conheciam e até tinham o disco mais importante… e, eles gravaram e me presentearam com uma “fita k7”. Eu estava fascinada pela novidade musical.

O disco era o “Cantoria”, gravado em 1984, tendo sido o primeiro em formato digital ao vivo no Brasil. E, contraditoriamente ao avanço tecnológico, era a fina-flor da memória da cultura regionalista, obra de Mário de Aratanha e da legendária gravadora Kuarup.

Na minha opinião, uma das coisas mais belas da cultura brasileira.

O disco Cantoria originou uma série de shows ocorridos no início da década de 80. É, sem dúvida a mais perfeita mostra do que é a riqueza e profundidade da música regional nordestina.

Reune quatro ícones da música sertaneja de raiz, que em Cantoria realizam uma apresentação de antologia, lendária, mítica. Cada música é um pedaço de história, um retalho mágico de cultura em estado puríssimo, uma viagem magnífica a um universo repleto de riquezas harmônicas e poéticas das mais preciosas.

Depois ainda vieram mais dois discos Cantoria (2 e 3). E eu os encomendei aos moços nordestinos, quando fossem visitar a família. Mas eles nunca mais voltaram.

Assim que pude, comprei todos. E recomendo aos que tem a brasilidade correndo em suas veias e a quem gosta de boa música.

Veja abaixo um tira-gosto:

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Fábula da Burrinha Carregada de Livros

29 ago

Tem um lugar que eu gosto muito de visitar: o site da Usina de Letras… Hoje, passando por lá, encontrei essa Fábula da Burrinha Carregada de Livros, que achei muuuuuiiiiito interessante!

Delicie-se:

Era uma vez, há muitos séculos atrás, uma burrinha chamada Zizi que puxava a carroça da biblioteca da cidade.

Porém esta burrinha não se contentava em só puxar a carroça, ela gostava de ler muito também. Zizi lia todos os livros: científicos, poéticos, técnicos, etc.

Mas ela possuía um problema: não tinha para quem passar seus conhecimentos, pois era apenas um animal e os outros bichos não se interessavam por cultura.

Uma certa noite, este bicho viu uma estrela cadente e pensou:

– Se eu fosse uma pessoa eu poderia passar meus conhecimentos para outros seres humanos!

Então, após este pensamento, uma fada apareceu e exclamou:

– Seu desejo se tornará realidade!

Assim a fada transformou a burrinha numa linda princesa: com roupas caras, excelente aparência: loira, magra e de olhos azuis, uma verdadeira Barbie–Girl.

Esta princesa foi morar num palácio e logo se deslumbrou com tudo. Por isto, esqueceu–se de sua missão de passar seus conhecimentos para a raça humana e acabou virando uma modelo famosa. Cada dia que se passava, a princesa Zizi ficava mais arrogante e passava a ter atitudes desumanas, como: maltratar os empregados e a brincar com o coração dos homens.

Um certo dia, esta moça se levantou pela manhã, se olhou no espelho e levou um susto: suas orelhas de burra voltaram a aparecer contrastando com a sua aparência humana. Então, ela exclamou:

– O que é isto?

– O que aconteceu?

Assim a fada apareceu e falou:

– Isto é resultado da sua arrogância!

– Os céus transformaram você em humana para passar seus conhecimentos de burrinha. Mas vimos que você não mereceu o presente!

Após isto a fada desapareceu.

Desta maneira a princesa teve uma idéia:

– Já sei o que fazer para disfarçar a minha aparência:

– Farei um baile à fantasia esta noite.

Durante a festa Zizi, supostamente fantasiada de burrinha, notou algo estranho:

Todos os convidados estavam fantasiados de animais: o rei estava fantasiado de elefante, a rainha de urubu, os guardas de cachorro, etc.

Até que, no meio do baile, as pessoas pararam de falar a língua humana. Então, suas roupas se rasgaram e elas, finalmente, passaram a falar a língua dos animais e a terem a completa forma de bichos.

A princesa notou que com ela aconteceu a mesma coisa e por isto desmaiou.

Ao acordar, Zizi, verificou que voltou a ser a mesma burrinha que carregava os livros da biblioteca e que toda a fantasia de ser gente tinha acabado por desmerecimento próprio.

Afinal, um burro carregado de livros será sempre um burro.

Luciana do Rocio Mallon

Lua de São Jorge, lua deslumbrante…

29 ago

Eu li, em algum lugar, que o Vale da Lua, é um lugar onde o rio tocou o coração “de pedra” e então, pedra e rio se casaram, numa união de amor incondicional… que lindo!

Sem dúvida, o Vale da Lua é um dos lugares mais especiais que já conheci. Localiza-se em Goiás, na pequenina São Jorge, na Chapada dos Veadeiros. A natureza, com certeza emprestou a esse lugar a poesia, a magia, a paz.

O nome de Vale da Lua é porque lá há um trecho de rochas que imita a paisagem lunar. Desbravando o rio, somos brindados com piscinas naturais, cachoeiras, hidromassagem natural. Tudo isso em meio aos campos do cerrado goiano. Lá tem flores que surgem das pedras… lindas, coloridas… tem trilhas que para o observador atento, surpreende todo momento.

Que saudade! Que saudade de acampar em São Jorge, visitar o Vale da Lua, o Salto do Raizama, as piscinas térmicas vulcânicas… Que saudade dos amigos e amigas que dividiram, naquele lugar, momentos que ficarão para sempre! E, para dar mais saudade ainda, hoje a Ângela me mandou essa foto… Que saudade!

O que sinto por aquele lugar… alguém me disse que saudade é uma dor com imagem. Pode ser, às vezes. No caso do Vale da Lua, não há dor. Há alegria de saber que o Vale existe e que não está apenas lá em Goiás, mas também hospedado numa casinha dentro do meu coração, assim como todas as pessoas que lá estiveram comigo.

Como é que acabou assim?

29 ago

Com saúde debilitada, aparência decrépita, finanças combalidas e vivendo isolado no Oriente Médio. É assim que Michael Jackson celebrará nesta sexta-feira os seus 50 anos. É bem provável, contudo, que o pensamento feito em voz baixa antes de soprar as velhinhas se torne mais uma reflexão do que um desejo de aniversário. Como foi que o autor de Thriller, o disco mais vendido de todos os tempos, acabou deste jeito? (trecho publicado em ZH)

Eu fui fã de Michael na adolescência e, quando criança, cheguei a assistir o desenho animado “the Jackson five”. A excentricidade do ídolo construiu em mim a repulsa. Só depois vieram as denúncias de pedofilia. Aí o caldo entornou de vez. Mesmo assim, considero lamentável o que aconteceu com Michael Jackson e comigo, na condição de ex-fã.

Duas perguntas!

29 ago

1) Por que não mudam o Clemer de posição? Ele já está concorrendo ao título de artilheiro, afinal… Gol é com ele mesmo!

2) Ou então: por que o Bernadinho não o leva para jogar volei?

Bah! A torcida colorada não aguenta mais as trapalhadas do “guapo”!

Vídeo do Sandro Ferraz

29 ago

Dia de grenal

28 ago

Bah… mais um dia daqueles!

Grenal na Azenha. Lá, não boto meus pés! E, como já disse, é impossível descrever a profusão de sentimentos em dia de clássico.

Hoje acordei, tomei meu banho, me arrumei, tomei café e sai para trabalhar… “todo o dia ela faz tudo sempre igual…”. Mas não é um dia igual aos outros. E só me dei conta disso quando estava no ponto de ônibus. Lembrei: hoje tem grenal!

Imediatamente corri o olho sobre mim e… putz! Estava usando uma blusinha azul e branca, com um colete preto sobre ela. Olhei o relógio e já estava “em cima do laço”.

Eu não podia sair assim! Não podia!

Voltei pra casa e troquei de roupa. Coloquei minha camiseta colorada. Me atrasei para o trabalho.

Colorada é assim. Apesar do time não ir bem como gostaríamos… Mais vale um xixi do chefe, por chegar atrasada, do que um xixi da consciência…