Arquivo | junho, 2009

Um ano blogueando.

30 jun

Quando estreiei esse blog, há um ano atrás, tremi para escrever a primeira postagem. Tratava-se de iniciar uma caminhada de publicizar meu pensamento. Uma exposição que, por certo, passaria pelo crivo de muita gente. E passou.

Recebi muitas críticas, concordâncias, discordâncias. Tudo o que recebi dos amigos, independente de levar em consideração, foi bem vindo. Tudo o que recebi dos ínvidos, dos aleivosos, dos dissimulados, foi arremessado numa lixeira virtual qualquer.

O importante é que durante esse ano inteiro de postagens, de “escreveção” fui fiel ao meu pensamento, a minha leitura da vida e das coisas que nela ocorrem. Sem tese, dissertação… Simples e objetivamente, fui dando divulgação ao que acredito. Engranzando o dedo na moleira do que e de quem discordo. Melindre-se quem quiser melindrar-se.

Independente dos números, das estatísticas de visitas, o que vale são as coisas dessa escrevedora de coisas… as Coisas de Soninha. Com um aninho o blog é apenas uma criança. Que vai crescer, aviltar-se, desenvolver, amadurecer muito ainda.

Que venham os próximos anos!

Tão mutante quanto Michael Jackson

29 jun

Eu ainda obstino acreditar no ser humano e, por conta disso, acabo me surpreendendo e me decepcionando com as pessoas.

Conheci uma menina de família pobre que tem o grande mérito de ser uma batalhadora, uma guerreira que conseguiu sobrepujar barreiras de como a sociedade trata gente de sua classe. Graças a isso, conseguiu, contrariando as estatísticas, frequentar universidade e se formar. Fiquei muito feliz de tê-la assistido trilhar esse caminho.
Entretanto, a partir desse merecimento, tal menina vestiu-se de um rompante e de uma arrogância que me fizeram triste por alguns instantes, ao percebê-la por esse ponto-de-vista.
Como pode as pessoas, pelo fato de ascenderem um degrau na vida, achar que atingiram a superioridade sobre as demais pessoas?
Por que elas não percebem que quanto mais compassivas elas forem, mais serão contempladas pela sociedade?
Será que eu é que estou errada confiando nisso?

Mudança de qualidade

28 jun

Quero escrever sobre o seminário sobre propostas concretas de democratização da comunicação que estou participando em São Paulo, mas isso requer tempo para tentar contar com o máximo de fidelidade o que está acontecendo aqui, organizar minhas anotações e dizer-lhes da riqueza que está sendo o evento. Por ora, posso garantir que o seminário está lançando luzes importantes para a realização da Conferência Nacional de Comunicação.

E, por falar em qualidade, quero dizer que já gostei muito de São Paulo. Anos atrás gostava de andar por esse jardim de concreto. Hoje já não gosto tanto. Hoje sinto tristeza quando passeio por aqui e tenho vontade de retornar logo. Mudou a qualidade do meu sentimento em São Paulo.

Curem o Taison

26 jun
Considero que boa parte da responsabilidade pela ausência de gols do Inter no jogo de ontem foi do Taison.
Seria exagero responsabilizar o guri?

Pois bem, vou dizer o que, até agora, só falei em casa para os meus: O Taison começou sofrer de um mal que eu conheço muito bem. Como já falei aqui mesmo outras vezes, Taison é, sem dúvida um bom jogador. Ponto. Só que futebol é esporte de EQUIPE, não de um único bom jogador.
E o guri, que descobriu que é bom, deixou que isso lhe ascendesse à cabeça. Virou fominha. Acha que vai definir tudo sozinho. E, por atitude assim, deixou de fazer gols no jogo de ontem e impediu que outros fizessem em jogadas que bastava que ele tivesse cruzado a bola a um companheiro.
A doença do Taison eu conheço bem. Salto alto, arrogância, soberba, empáfia, são sinônimos da enfermidade que ora se abate sobre o guri. É bom que se trate disso logo, enquanto há salvação. Já vi muita estrela despencar do céu por isso… e confio ver outras tantas vida afora.
Para não dizer que não falei das flores, no jogo de ontem Guiña e Bolivar foram destaques. Faltou equipe. Faltou colorados… Que dia 1º tudo seja diferente!

Quando meu amigo começou morrer…

26 jun

Há quase um ano eu escrevi neste blog sobre ele e, naquela época, eu perguntava “como é que acabou assim?”.

Falar disso hoje é lugar comum. Todas as emissoras, todos os sites, todo o mundo, afinal, Michael era um “super pop star”. Entretanto, determinei falar de mim para arrazoar sobre ele.

Eu era criança e já convivia com o desenho animado dos cinco “Jackson’s”… lembro que, a Keka (minha prima) e eu, assistíamos os episódios dos “Jackson Five” e, depois disso, ficávamos a dançar, imitando as coreografias.
Sem dúvida “Ben” foi a primeira música dele que entrou na minha vida e nela permaneceu. Trata-se de uma música que fala da amizade, de contar com um amigo, de ser dele e ele ser seu. E assim, com “Ben”, Michael tornou-se meu amigo.
Na minha adolescência, Michael Jackson arrombou a minha vida… claro que foi no momento em que ele entrou na vida de muita gente. Mas eu e não os outros milhões de pessoas mundo afora, como fã e como adolescente, o que significa dizer, alguém de sentimentos extremados, passei a adorá-lo.

Meu quarto passou a ser decorado com poster’s por todos os lados. As paredes eram cobertas por todos os tipos e tamanhos de fotos de Michael. Pergunte à minha mãe o quanto ela odiava isso. Me vestia com assessórios que lembravam o seu jeito, o seu estilo… ouvia suas músicas, lia tudo sobre ele. Sentia-me íntima.
À partir do álbum Thriller, no entanto, ele começou a morrer para mim. Suas aparições em mutação me desagradavam. Não gostava de assisti-lo “branqueando”, afinando o nariz, enfim. E, ali ele iniciou sua morte.

Eu me afastei dele e, cada nova notícia ao longo dos anos me dizia que aquele Michael da infância, da adolescência não existia mais. As polêmicas todo mundo sabe. Só não sabe o que eu, que um dia me achei íntima dele, sentia.
Sim, havia o sentimento de perda… ele foi morrendo aos poucos para mim. E ontem, bem… ontem foi a conclusão.
E eu senti saudade do pequeno Michael, de cabelo pixaim, de nariz largo, oriundo de família grande, unida, humilde… senti saudade do meu amigo “Ben”.

Jornalismo: Até ontem tinha qualidade?

26 jun
Sabendo da polêmica dura que me envolverei, enumero abaixo e comento alguns dos principais trechos do manifesto da Federação Nacional dos Jornalistas pela exigência do diploma de jornalista, tese derrubada ontem no STF. A meu ver, a entidade tenta demonstrar de maneira pouco convincente a preocupação com a qualidade e a ética no jornalismo, mas o que sobressai é a defesa de um corporativismo mesquinho e preconceituoso. Clique aqui e leia o artigo completo do meu amigo palpiteiro Geraldo Galindo.
Mais algumas desse palpiteiro:
Vocês acham que se deveria exigir diploma em literatura para jornalistas que escrevem romances?

Vocês acham correto publicitário não ter essa exigência e vocês terem?

Vocês acham que cozinheiro deveria ter curso superior de nutricionismo?

Seria correto exigir diploma de atores, atrizes que não passaram pelas Faculdades de Artes?

E que para fazer poesia deve ser obrigado a ter curso de Letras?

E para ser cantor e instrumentista deve-se exigir diploma da Escola de Música?

Assim é, se lhe parece

25 jun
Critique-me. Não influi. O que Ricardo Noblat escreve sobre jornalismo, eu aprecio. Posso não concordar com o que ele, como jornalista, escreve sobre temas distintos. Contudo suas apreciações sobre jornalismo são, em minha opinião, muito adequadas. Acho que já li quase tudo o que ele escreveu sobre o tema.
Hoje resolvi selecionar um pouco do que ele escreveu sobre assessoria de imprensa, no artigo “Assim é, se lhe parece”, publicado em 2003, na Revista da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.

Veja: “Antes que seja esfolado vivo, digo que respeito o assessor de imprensa como respeito todo tipo de profissional sério, digno e que sua a camisa para sobreviver” (…) “Mas que assessores de imprensa fazem jornalismo, não fazem não, sinto dizer. Pelo menos o que entendo por jornalismo” (…) “Para que seja considerado como tal, o jornalismo tem de ser livre, crítico e, se necessário, impiedoso”(…) “não haverá assessoria de imprensa que sobreviva com um jornalismo desses. Ela simplesmente não terá clientes” (…) O dever número um do assessor de imprensa é oferecer para divulgação a verdade que melhor sirva ao seu assessorado. E, se preciso, ocultar a verdade quando ela lhe for nociva” (…) “Quem paga o salário do assessor de imprensa é a empresa, entidade, governo ou figura pública que o contratou. No dia em que um assessor de imprensa for capaz de distribuir notícias contra seus clientes estará fazendo jornalismo – e deixará de ser assessor de imprensa. O que ele faz tem mais a ver com relações públicas e propaganda do que com jornalismo”.