Arquivo | agosto, 2009

A gente nem pede muito

31 ago
O guri do interior, nascido em Selbach, tem apenas 19 aninhos. Nem se importou com a ausência das estrelas consagradas (Alecsandro, Sandro, D’Alessandro, Taison, Sorondo e Andrezinho). Formado nas categorias de base o guri entrou em campo cheio de excitação e mostrou o que a torcida colorada há muito tempo vem reclamando: vontade de jogar, raça, disposição, garra.

O nome do guri que jogou a sua terceira partida como profissional é Marquinhos, responsável pelo primeiro gol da goleada de 4×0 sobre o Goiás, ontem à tarde. Mas não só isso: Marquinhos foi decisivo para o gol do capitão Guiña, que como sempre jogou como se disputasse uma final de copa do mundo. Marquinhos também participou da jogada que levou Giuliano a fazer o terceiro gol.
Nós colorados não pedimos demais. Apenas queremos que o nosso Inter jogue como ontem, um jogo coletivo, sem salto alto e estrelismos, sem o “retranquismo” do Tite, com uma equipe que verdadeiramente veste a camisa do time, dando oportunidade aos novos craques que despontam, como Marquinhos, mas também com a experiência e garra de Guiñazu.
Parabéns a torcida colorada que mais uma vez deu show e mostrou que é generosa e eternamente grata aos dois heróis colorados que hoje jogam no Goiás: o eterno capitão Fernandão e Iarley, que foram calorosamente saudados pela arquibancada.

Memórias de um certo João

30 ago

Meu amigo Assis, um cearense de nascimento, candango por destino e gaúcho por opção, me enviou por e-mail o texto abaixo, escrito por Ulysses Assis Neto, um advogado e administrador de empresas, que foi publicado originalmente no Estado de São Paulo.


Uma belíssima leitura. Deleitem-se!

A vida é mesmo um paradoxo: Caminhando em Paris, mais precisamente em frente a catedral de Notre-Dame, símbolo máximo do catolicismo francês, deparei-me com o agnóstico e comunista autêntico João Amazonas. Um encontro que o destino me surpreendeu e que guardo até hoje em minha memória. Vestindo um terno impecável que cobria um elegante suéter, aquele senhor educado, magro, calvo, de ralos cabelos brancos e de voz mansa me fez esquecer por alguns momentos a beleza dos monumentos parisienses. Se bem que estava diante de um verdadeiro monumento. Apesar de não comungar ideologicamente e religiosamente com aquele senhor, adimirava-o pela sua obstinação. Reconhecendo-o, tomei a iniciativa de cumprimentá-lo. Fui muito bem recebido por ele, que me convidou para sentar no banquinho da praça em frente a Notre-Dame. Tomamos um suco e degustamos um bom papo sobre a sua vida, sobre o Brasil. De repente, o badalar do sino da catedral: meio dia! Fiz o sinal da cruz e João atentamente me observava. Sabia de sua incredulidade. João abaixou a cabeça em sinal de respeito. Até determinado momento, pensei que fosse repetir o meu gesto. Silenciou, e passados alguns segundos, a boa conversa estava de volta.

João me falou que a França sempre era seu ponto de chegada na Europa. De lá, costumava viajar para a extinta União Soviética onde saboreava com seus camaradas a doutrina marxista acompanhada de uns goles de vodka e retornava pela pobre Albânia, onde em Tirana encontrava-se sempre com Enver Hoxha, líder máximo do PC Albanês. Fez questão de dizer-me que era extremamente fiel aos seus ideais, algo raro em nossos políticos de hoje. Aos 23 anos filiou-se ao Partido Comunista. Mesmo tendo Amazonas no sobrenome, João era um Paraense que sonhava com um Brasil comunista. Pois é, se os brutos também amam, os incrédulos também sonham! João mostrou-se puro e autêntico em suas afirmações. Seus olhos brilhavam quando narrava passagens históricas de sua vida. Mostrou-me uma grandeza ímpar: Em momento algum esboçou rancor ou ódio para com seus adversários.
O tempo passou e logo mais uma badalada do sino anunciava duas da tarde. Confessei a João a alegria de tê-lo ali por aqueles momentos. Tiramos fotos e para minha surpresa João convidou-me para um chá no dia seguinte. Imediatamente indaguei-o: – Na sede do partido comunista francês? Ele esbanjou um sorriso e disse: – Não camarada, vamos a Maison Dalsace nos Champs Elisées. Despedi-me e fui continuar meu tour.

Na tarde do dia seguinte fui para os Champs Elisées procurar o restaurante que João falou. Encontrei-o sem problemas, pois ficava em frente ao tradicional Lido. Coincidentemente, o restaurante apresentava em sua fachada um banner vermelho com seu nome em letras douradas. Parecia coisa de burguês! Nada! Ali estavam simples franceses e humildes imigrantes latinos que saiam do trabalho para espairecer sob o entardecer de Paris.

Apesar do perfil de autenticidade de João, não acreditava piamente que estaria por lá para tomar o chá. Fiquei pensando em tomar um chá de cadeira! E onde estava João? Avistei logo na chegada o comentarista de economia Joelmir Betting que lia atentamente o Le Monde. Entrei, o garçom apresentou-me de imediato uma carta de vinhos. Falei que estava esperando um amigo, Que audácia minha! Um amigo! Não passou sequer dez minutos, e João Amazonas despontava na entrada do restaurante. Vinha com dois colegas franceses que pareciam ser mais jovens que ele. Pensei logo: Com certeza João esta trazendo minha ficha de filiação do PC do B! O que é que vim fazer aqui?

Apresentou-me aos amigos que eram de um matutino francês de linha esquerdista e estavam produzindo uma matéria sobre a Albânia. Eram seis da tarde quando o chá bem esperto esquentou aquele cair da tarde do outono europeu. Conversaram muito em francês, mas João elegantemente fazia questão de traduzir tudo para mim. Por volta das sete e meia da noite nosso papo histórico ia chegando ao fim do mesmo modo que os tímidos raios de sol se escondiam por trás do Arco do Triunfo. João cavalheiramente me deu um abraço e uma lição de vida na despedida: – Camarada, mesmo com ideais diferentes, nada impede que sejamos amigos, pois acima de toda ideologia e pensamento está o respeito à pessoa humana! Não precisei mais de jantar, pois aquilo que ouvi do velho João alimentou minha alma pelo resto da noite. Entregou-me um cartão pessoal com o timbre do “partidão” o qual coloquei em meu passaporte com muito cuidado. Recomendou-me suas publicações que poderiam ser encontradas na sede do PC do B no Rio de Janeiro e que poderia telefoná-lo quando quisesse. Com um até logo meu querido camarada, o João se despedia. Perguntei se não o incomodava de dizer: – João, vai com Deus! João sorriu e disse: – De maneira alguma! E partiu.

Da França, fui de trem para Madrid. Lá chegando, na estação de metrô fui roubado em mil dólares, além de passaporte e óculos Ray-ban. Coisa de brasileiro? Nada! Coisa de espanhol! Recorri a embaixada brasileira. Meu passaporte apareceu depois de três dias na Gran Via, uma das principais avenidas de Madrid. Assim que eu pude abri-lo, não encontrei mais o cartão do João. Que pena! Era uma relíquia! Porém, fiquei com as fotos daquela audiência pública casual na praça de Notre Dame que fora marcada pelo destino.

Nunca cheguei a telefoná-lo. Acompanhei João Amazonas apenas pelos noticiários. Esta semana, surpreendi-me com a sua morte em São Paulo aos 90 anos. Relembrei-me daqueles dois históricos dias que conheci aquela figura humana que me surpreendeu. Lamentei a perda deste grande brasileiro e pedi a Deus que nos últimos momentos de sua vida, o velho João tenha deixado por alguns instantes em sua mesa de cabeceira a foice e o martelo e feito o sinal da Santa Cruz! Vai com Deus João!

Desse voto eu não me arrependo

28 ago
Eu sou povo e, apesar de ter tido uma vida inteira de militância social sempre gosto de me postar no lugar das pessoas mais simples da sociedade. Daquelas pessoas que nunca tiveram qualquer vivência política e que percebem as coisas pelo ângulo da sensibilidade.
Se eu nunca tivesse tido qualquer convívio com políticos, o que me faria votar ou não em alguém?

Diante disso, posso assegurar que no Raul Carrion eu votaria e repetiria o voto, pois trata-se de alguém que tem (digo por conhecê-lo) e demonstra ter (digo como se fosse alguém que não o conhecesse) profundo respeito pelo povo.
Outra coisa que me faria respeitá-lo e admirá-lo foi uma atitude dele ocorrida ontem. Pode parecer absurdo para alguns que não respeitam o povo, mas para o povo – definitivamente – não é bobagem.
Ontem o Raul Carrion estava agendado para falar às 14h na reunião da direção da CTB. Perto do meio-dia o deputado me ligou (do seu celular para o meu celular) para me informar que havia sido convidado para um programa de rádio e que o mesmo entraria no horário combinado para sua fala na CTB.
Acreditem: O deputado Raul Carrion telefonou para solicitar a alteração do horário em 30 minutos. Se atrasaria 30 minutos, apenas.
Conseguem perceber?
Mesmo ele indo prestar uma gentileza de palestrar na reunião, em respeito a quem o convidou, pediu alteração de horário. Outra coisa: Não foi nenhum assessor. Ligou pessoalmente para a funcionária da CTB, sem qualquer “vício de hierarquia”.

Eu, que tive uma vida inteira de militância política e já vi muito “pé-de-chinelo” achar que é mais que os outros porque ocupou um carguinho… Já assisti muito desrespeito com agenda, com horário, mas acima de tudo, com o povo porque acham que são “estrelas” e que as pessoas é que tem obrigação de esperá-los sem dar qualquer satisfação, já testemunhei muitos “pavões” achar que eles não devem falar com funcionários, pois os mesmos estão acima na camada social.
Eu poderia aqui falar de seus projetos como parlamentar, de sua postura na política, que para mim são as melhores possíveis. Mas sou povo e vejo como povo. São atitudes como essa, simples, pueris, que também fazem de Raul Carrion um voto do qual eu não me arrependo.

O grande “tcham” da Confecom

26 ago

“Não dá para ter ilusão que os movimentos sociais conquistarão grandes avanços nessa primeira Conferência Nacional de Comunicação. Ela precisa ser vista como processo cumulativo. O grande “tcham” da Confecom é o papel didático que ela está promovendo. A sociedade hoje passa a discutir o tipo de comunicação que queremos. Ela está se apropriando da idéia de que a comunicação é um direito, assim como saúde, educação, etc. O debate na sociedade, o acordar para isso é o grande “tcham” dessa 1ª Confecom”.
Essas são apenas algumas palavras que ouvi ontem à noite na palestra “A mídia no Brasil”, do meu querido amigo e grande jornalista Altamiro Borges.
Sua palestra foi uma verdadeira injeção de ânimo, já que ao mesmo tempo em que falava em Porto Alegre, acontecia em Brasília a reunião da comissão organizadora nacional da Confecom e o resultado, como era de se esperar, foi de desvantagem para os setores da sociedade civil, ou seja, de 40% dos delegados para os empresários do setor e de 60% dos votos para a aprovação de “temas sensíveis”, de interesse dos senhores da mídia.
Com seu estilo vibrante, Miro transpôs entusiasmo e disposição aos presentes, com a visão de perspectiva e de acumulação de força no processo de realização da Conferência Nacional de Comunicação.
Como diz Miro em seu blog: “Já se sabia que esta batalha seria dura, truncada e cheia de armadilhas. Afinal, “pela primeira vez na história do país”, como sempre repete o presidente Lula, a sociedade é chamada a discutir o papel dos meios de comunicação, um tema que adquiriu caráter estratégico na atualidade. O vespeiro é grande.

É como tratar da reforma agrária, do fim do latifúndio da terra; neste caso, ainda mais complexo e grave, é a luta contra os latifundiários da mídia que está em jogo”.
Em tempo: Miro também fez o lançamento do seu novo livro “A Ditadura da Mídia” e quem quiser comprar, é só clicar aqui.

Justiça seja feita…

25 ago
Essa minha foto que virou capa do blog foi bastante elogiada. Não pela modelo fotográfica, mas porque foi feita por uma grande fotógrafa, grande jornalista e (descobri recentemente) uma grande amiga, também – Márcia Carvalho. Para fazer justiça, heis a foto da fotógrafa:

Papo de louco

25 ago

Hoje vou escrever sobre coisa nenhuma… sobre nada. Falar qualquer coisa, porque uma tal de inspiração fugiu de mim. Não sei o que eu fiz pra ela, só sei que ela desejou manter distância de mim. Sem o entusiasmo criador, só me resta falar insignificância. Eu sei que um dia a tal dona inspiração voltará pra mim, cheia de compunção por ter me desamparado. E eu a absolverei, afinal preciso dela para sobreviver… e ela precisa de mim para exprimir suas aspirações mundanas. Precisamos viver juntas. Completamo-nos. Enquanto isso não falo coisa que preste… fico nessa conversa demente.

Pela CONFECOM… é hoje!

25 ago

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