Arquivo | março, 2010

Língua brasileira na paulicéia

28 mar
Quando se decidiu esticar o dia e encerrar o Encontro de Comunicação um dia antes do que estava previsto, eu não gostei nem um pouquinho, afinal estava com a passagem de retorno marcada para a tarde do dia seguinte. Seria um enorme tédio passar quase todo o sábado em São Paulo, dentro de um hotel.
Nivaldo Santana, sindicalista combativo, ex-deputado estadual de SP e, acima de tudo, paulistano fidedigno, surgiu em nosso socorro (Márcia, Joemir e eu). Preparou uma programação alternativa e barata para o dia na capital paulista. Devo agradecer Nivaldo que, apesar de ser o corinthiano mais chato e provocador que conheço, é um amigo querido e sua sugestão foi primorosa.
Fomos para a Estação da Luz visitar o Museu da Língua Portuguesa que, cada vez mais me convenço, deveria ser da “Língua Brasileira”. Eu gostaria muito de conseguir descrever o sentimento que se apoderou de mim naquele lugar. Infelizmente tudo o que eu disser é pouco diante da gigantesca emoção despertada no Museu.
Brasilidade! Amor incondicional a essa terra e esse povo que reinventa palavras e concebe todos os dias novos jeitos de nos comunicarmos. Orgulho imensurável de ser filha desse torrão.
Por certo, voltarei ao Museu da Língua Brasileira. E indico a todos amantes do Brasil, aos apaixonados pela língua, por comunicação, pela palavra enfim, que visite a Estação da Luz e deleite-se como fiz.
E, por dica do Nivaldo Santana, depois dali, vá ao Mercado Municipal comer a típica mortadela paulistana, acompanhada de Adoniran Barbosa. Quer mais?

No entanto, me traz encanto!

26 mar

Nasci do ventre de Caxias do Sul, minha mãe legítima. E fui adotada por uma outra, cuja a alegria está até no nome. Minha mãe adotiva se chama PORTO ALEGRE. E hoje ela completa 238 anos. Cada vez mais linda, cada vez mais acolhedora, mais carinhosa.

É bem verdade que alguns de seus filhos (adotados como eu, ou legítimos), não tem cuidado muito bem dela. Mas há outros tantos que se preocupam com seu bem estar e cuidam dessa velhinha com atenção e respeito que ela merece.

Esse chão por onde trilho todos os dias já foi terra dos índios Guaranis. Um tal de Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcelos, um cara que foi cantado por Kleiton e Kledir, que lá no século 17 resolveu se estabelecer por essas bandas, iniciou a propagação desse território.

Porto de Viamão, Porto do Dorneles, Porto dos Casais, Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, ou hoje, simplesmente Porto Alegre. E não é para menos… Porto que leva e traz alegrias. Porto que me conquistou.

Quando cheguei aqui, era um tempo em que a cidade vivia grandes transformações no seu jeito de ser, de pensar, na sua aparência e fundamentalmente na elevação da sua auto-estima. Uma nova época acendia para Porto Alegre e para mim também, por isso as mutações que advinham da cidade se processavam em mim, igualmente.

Se Porto Alegre fosse comparada a uma mulher, eu descreveria que naquele momento em que a encontrei, em 1992, ela estava se reafirmando independente depois de separar-se de um casamento frustrado com um marido bêbado e violento. Exatamente. Porto Alegre, assim como o Brasil inteiro, saiu muito feia, muito sofrida, muito escarnecida do malfadado casamento de 20 anos com a ditadura militar. Precisava dar um “up” na sua aparência, precisava mudar seu comportamento, tomar pra si a nova era de liberdade.

E ela o fez como fazem as mulheres que conseguem se recobrar de cônjuges perversos. É bem verdade que foram necessários alguns anos de terapia, estudo, academia, estética, salão de beleza e pronto. Era uma nova mulher, pronta para a nova vida.

Como foi bom viver tudo isso junto com Porto Alegre. Claro que ela teve lá suas recaídas. Mas atire a primeira pedra quem nunca às teve.

Viver nessa cidade é ser arrebatada ao ver o sol penetrando com sensualidade e múltiplas cores nas águas do Guaíba aos finais de tarde. Viver aqui é conviver com o congraçamento do urbano e do rural, da terra e da água, da planície e da montanha, do inverno e do verão em uma simbiose que só Porto Alegre tem.

É se perder entre mil ruídos e efígies no Largo Glênio Peres. É abstrair toda a fábula das noites pelas ruas da Cidade Baixa. É a vibração ímpar produzida pelos grenais. É laborar com maestria nas manufaturas da Zona Norte. Também é recolher do chão o sustento pelas propriedades do Belém Velho.

E é contemplar os encantos do rio pela Zona Sul. Minha Zona Sul, onde me enraízo.

Ah, Porto Alegre é tanta coisa… Desde que cheguei e recebi dela um abraço terno e forte, passei a amá-la e dedicar-me a ela como filha de uma mãe verdadeira. Eu te amo, Porto Alegre!

E desejo que teus longos anos que estão por vir, sejam de mais beleza, de cuidados especiais e de muita, muita alegria, MEU PORTO.

Encontro de Comunicação da CTB destaca pautas de 2010

26 mar
O 2º Encontro Nacional de Comunicação da CTB iniciou seus trabalhos nesta quinta-feira (25), na cidade de São Paulo, debatendo as notícias que serão pautas na sociedade brasileira ao longo de 2010. 
O secretário de Comunicação e Imprensa da CTB, Eduardo Navarro, deu início às atividades com uma cobrança a todos os presentes, ao lembrar que, num país de dimensões continentais como o Brasil, é impossível se desenvolver de maneira satisfatória sem uma estrutura de rede de colaboradores de norte a sul. “Precisamos de uma organização que permita a criação de uma imagem uniformizada da central”, defendeu.   
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Alguma coisa acontece…

26 mar
Estamos no Encontro Nacional de Comunicação da CTB, mas ninguém é de ferro…
Ainda mais com essa esquina famosa aos nossos pés.

TUDO de novo?

23 mar

Faz tempo que não falo de futebol e não é para menos: ando mesmo indignada! E, para completar minha revolta, estive no Beira Rio na noite do último domingo. Pois é! Se comprovou que domingo é realmente um dia inútil.

Assistir o jogo Inter x Pelotas já não era o melhor programa que se poderia almejar. Tanto que o público ficou na casa dos mirrados 11 mil torcedores. Meu marido e eu éramos dessas pessoas que, por pura falta de opção, fomos para o estádio.

Tem coisas que não se faz! A gente precisa se preservar! Ninguém tem necessidade de “procurar sarna pra se coçar”. Mesmo assim, fomos para o jogo. Pra quê? Para – provavelmente – extenuar a gastrite, impetrar um agastamento, revogar o humor, sacrificar o domingo. Sim. Essa é a única explicação para alguém sair de casa e ir para o Beira Rio assistir Inter x Pelotas. Ou melhor, para assistir o Pelotas.

Será que alguém consegue compreender a minha cólera? Eu vou explicar aos não-colorados, pois os colorados que me lêem, por certo, não necessitam de qualquer esclarecimento. Acontece que eu sou colorada! Acontece que eu tenho a paixão pelo Inter à flor da pele! Acontece que minha idolatria vem sendo violentada por uma direção e um técnico que não consegue compreender esse amor!

Ora, ir ver o Inter jogar retrancado, pelo Gauchão, em pleno Beira Rio? Ver aquele #%*@#%* do Alecsandro perder gol que até eu faria? Ver o monte de cacas cometidas pelo Fabiano Eler (mesmo fazendo um dos gols da partida) e depois fazer demagogia na imprensa? Ver Giuliano ser substituído por Bruno Silva para retrancar ainda mais o time?

Quem passa pela Av. Padre Cacique, depara-se com uma imensa faixa na frente do estádio com os dizeres: “Queremos TUDO de novo”. Minha vontade é colocar outra faixa lá, completando a frase: “Mas a direção não quer!”.

Bem vinda, Amanda!

22 mar
Chegou neste final de semana! Linda minha nova sobrinha!

Propaganda subliminar

22 mar

Há vários anos atrás, ao ir e voltar do trabalho em hora de pico, embarcada no transporte coletivo lotado, eu procurava achar uma cadeira no meio do ônibus para me assentar e costumava abrir o Jornal Tribuna da Luta Operária, de modo a instigar a curiosidade das pessoas no meu entorno e permitir que elas lessem o Jornal. Sei que vários leitores deste blog já fizeram o mesmo.

Tratava-se de uma forma de publicidade, num período em que a abertura política ainda era restrita e limitada. Divulgar as ideias que continham na “Tribuna” era papel militante e que se cometia com abissal deleite. Durante a semana estimulava os possíveis leitores no ônibus e, no sábado pela manhã, montávamos uma banca de venda do Jornal na Feira do Agricultor que acontecia no bairro onde morava. E vendíamos. Vendíamos muitas “Tribunas” e também “A Classe Operária”.

Hoje, ao dirigir-me para o trabalho, passei a escutar a conversa de duas senhoras, do alto de seus 60 e poucos anos que, num primeiro momento, conformavam duas pessoas comuns, do povo. Aliás, elas faziam questão de usar uma conversação nada militante. Dava para jurar que eram duas aposentadas corriqueiras.

Só que o colóquio foi avançando de maneira a me interessar cada vez mais. De algumas questões relativas aos problemas da saúde pública no Brasil, as senhoras rumaram para um debate sobre a política externa. Furiosas, passaram a atacar o Presidente Lula, em sua viagem e, principalmente, em sua postura em relação ao Oriente Médio. Dali, as nada triviais senhoras, dispararam contra Hugo Chaves, classificado por elas como “terrorista”, para em seguida criticarem veementemente a ajuda humanitária do Brasil às vítimas do terremoto no Haiti.

A conversa avançou, por óbvio, para a sucessão presidencial de 2010. E, com toda a intensidade, elas desfecharam contra a pré-candidata Dilma. Como tática, não se mencionou o nome de seu opositor, mas a ofensiva contra Dilma foi ferina, visando desqualificá-la à qualquer custo.

Quem me conhece sabe bem que o meu sangue ferve. Aproximei-me para olhar de perto as duas mulheres. Heis minha surpresa: eram duas senhoras que eu já conhecia de outros embates políticos cá pelo Rio Grande do Sul – e bem! Duas militantes da direita gaúcha, que ocupam “CC’s” (Cargos de Confiança) no governo do Estado.

Afora a discussão que promovi com elas, deixando claro a todos que não havia qualquer isenção nas opiniões das mulheres, me veio à lembrança o caso do Jornal Tribuna da Luta operária e da importância da propaganda subliminar, como a que estava acontecendo naquele ônibus.

As tais senhoras se mostraram bem competentes na arte da persuasão inconsciente. Elas transmitiam sua mensagem com eficácia, fazendo com que quase não se percebesse a intenção escondida na total falta de neutralidade daquela conversa.

A propaganda subliminar entra nas mentes de contrabando, produzindo – segundo a psicologia – efeitos na atividade psíquica e mental, além de possuir o poder de influenciar nas escolhas, nas atitudes, nas tomadas de decisões.