O que importa é ter um samba…

3 jun

Dizem que as pessoas quando vão ficando velhas, tornam-se saudosistas, o que é absolutamente natural, à medida que certas coisas vividas e bem vividas não voltam jamais. O que também, cá pra nós, é muito bom.

Assim, cá me vejo abarrotada de saudade de Porto Alegre. Mas, não se adiante em acreditar que não estou na capital dos gaúchos, que me bandeei para outras querências. Não. Estou sim na minha querida e amada cidade de Porto Alegre. Minha saudade é dos velhos e bons tempos de quando aqui aportei, precisamente em 1992.

Também saudade dos primeiros e – devo confessar – mui difíceis primeiros anos andando nas ruas de um porto (por vezes) não muito alegre que, no entanto, já disse Elaine Geissler, me trouxe encanto e um pôr de sol que me traduziu em versos…

Então, brincando de passear na memória desta linda terra, me vejo a caminhar pelas madrugadas frias, de garoa cerrada, pelas ruas do Centro e da Cidade Baixa, meus primeiros paradouros.

Logo na chegada descubro, bem no coração da cidade, na Marechal Floriano, entre a Jerônimo Coelho e a Duque de Caxias um cantinho da mais bucólica e autêntica boemia. As serestas, o samba-canção e seus intérpretes me envolveram e me fizeram embrenhar naquele mundo arrebatador e romanesco que somente as madrugadas habita.

Lá estava eu no Bar Adelaide’s, que outrora havia tido entre seus frequentadores Lupicinio Rodrigues, Johnson, Plauto da Flauta, entre outros. Entretanto, devo garantir que os frequentadores da época que lá cheguei, não tinham naipe inferior a estes, ao contrário, também eram de altíssimo gabarito.

No Adelaide’s eu reencontrei alguns amigos como o Tiganá, o Cauby e o Fininho, que havia conhecido ainda em Caxias do Sul. Lá, apresentado pelo Cauby, tive o imenso privilégio de conhecer um dos maiores nomes que o samba gaúcho produziu: Jorge Moacir da Silva – o Bedeu, de quem eu já ouvia e cantava “minha preta, eu ando calado, sofrido tal qual um samba-canção, das dores que trago no peito, se perdem em acordes do meu violão”…

Foi lá também que conheci amigos que ficaram para sempre, como Marcelo Xavier e Marcelo Kará, por exemplo. Todas estas pessoas são aquelas que Túlio Piva definiu como “gente da noite que não liga preconceitos, que tem estrelas na alma e a lua dentro do seu peito”.

Aliás, falando em Túlio Piva talvez recorrendo a ele, consiga definir minha saudade dizendo que naqueles bons tempos eu pensava que a lua pendurada no céu fosse um pandeiro de prata, pois foi na batida do samba de Porto Alegre que eu aprendi meus primeiros passos. E, sinceramente, não me importa que tudo me traga dissabores se eu tiver o samba para cantar amores.

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