Maravilhosa alienação

6 ago

Ontem, enquanto assistia o jogo do Inter na semifinal da Libertadores, que valia a vaga para a Final, mas também para o Mundial Interclubes da Fifa, já que o outro finalista da Libertdadores da América, o mexicano Chivas, não poderá representar o continente sulamericano, pois pertence a outra federação do norte e Caribe, pensava no ano de 2006, que significou o ano das maiores glórias do clube do povo gaúcho.

Lembrei do dia 09 de agosto de 2006, no mesmo Morumbi, com cerca de 70 mil são-paulinos, onde aconteceu o primeiro jogo das finais e dos dois gols de Rafael Sóbis, que assegurava que, na partida de volta, no templo colorado denominado de Gigante da Beira Rio, bastava um empate para que erguêssemos a Taça Libertadores da América.

Mas, ontem também me reportei àquele dia muito chuvoso – 16 de agosto de 2006. Por volta das 17h minha filha e eu nos dirigimos para o Beira Rio, para um jogo que só iria começar por volta das 21h. Júlio não pode ir, pois estava trabalhando. Compramos uma daquelas capinhas de chuva descartáveis, de plástico e enfrentamos horas de uma interminável fila que dava volta no estádio. Estávamos muito molhadas, mas tudo valia à pena pelo nosso amor ao Inter.

Inter e São Paulo empataram em 2×2, num jogo tenso, de muito sofrimento para os mais de 40 mil colorados que lotaram o Gigante, com gols de Fernandão (hoje, lamentavelmente no São Paulo) e Tinga (de volta ao Inter) para o Inter e Fabão e Lenilson para o São Paulo.

O Inter ganhava por 2×1, quando aos 40 minutos do segundo tempo, o São Paulo empatou e jogava ofensivamente, proporcionando perigo a vitória colorada. Minha filha chorava compulsivamente.

Os últimos minutos de jogo foram de muita apreensão. O tempo parecia que não passava e o São Paulo atacava, fazendo com que Clemer, nosso então goleiro, tivesse que fazer defesas espetaculares. Felizmente o jogo acabou e o Beira Rio explodiu.

Jamais esquecerei a imagem de Rafael Sóbis, que também está de volta ao Inter, tomando para si uma imensa bandeira, correndo como um menino e indo até a frente da Guarda Popular vibrar com a massa colorada. Para quem diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, saiba que, como ontem, naquele 16 de agosto, o nosso querido Tinga foi expulso, pois, ao comemorar seu gol, levantou a camisa exibindo outra com dizeres religiosos.

Ontem era o dia do primeiro debate entre os presidenciáveis e, enquanto eu assistia o jogo, também pensava que deveria assistir ao debate. Preferi 90 minutos de muita emoção, muito amor e da minha maravilhosa alienação. Isso não significa que esteja negando meu compromisso com minha consciência social, com o futuro e a continuidade do projeto iniciado por Lula e que só poderá seguir em frente com a eleição da Dilma.

Mas, eu merecia essa “glória do desporto nacional” que só o meu Internacional me permite sentir.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: