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Neve no sul brasileiro

4 ago

É bem verdade que o frio aquece alguns setores da economia gaúcha, como o turismo na serra, a indústria e o comércio do vestuário, calçadista, entre outros. Se for frio com neve, então… Vira onda nacional.

Os noticiários divulgam aquele minutinho e meia dúzia de flocos como se já fosse possível montar gigantescos bonecos de neve e, mesmo com o caos da Gol, começa a pipocar gente de tudo quanto é lado do país, lotando os hotéis serranos, os cafés coloniais, etc. É verdade também que a maioria destes turistas volta para casa frustrado, sem ver a neve. Quando muito conseguem ver a geada que branqueia tudo pela manhã, mas para isso, terão que pular cedinho da cama.

Eu que nasci na serra gaúcha sei bem que, ter que levantar cedo da cama, em temperaturas negativas (ou quase), tomar banho em chuveiros que, por mais potentes que sejam, não conseguem aquecer a água suficientemente e depois sair para a rua quebrando geada, todos os dias para trabalhar, não é uma tarefa nem um pouco agradável.

Ainda assim, há o lado bom nesta breve história, pois ela demonstra que quem passa por isso tem uma casa, uma cama, um cobertor, um chuveiro elétrico (no mínimo) e um trabalho.

Entretanto, não podemos fechar os olhos para aqueles que não encaram as baixas temperaturas como os turistas que lotam os estabelecimentos com calefação, os chalés com lareiras, que se empanturram com as guloseimas dos cafés coloniais, os chocolates caseiros e os vinhos da região. Tampouco não são aqueles que enfrentam o frio diário para labutar.

Falo daquelas pessoas que moram em barracos, nas favelas, ou daqueles que nem isso possuem. Falo daquelas crianças que lotam hospitais com problemas respiratórios, em consequência de não ter uma roupa ou um calçado adequado à temperatura. Falo da ampliação do número de incêndios, que acaba com o que tão pouco tem.

Devemos é abrir os olhos, aquecer nosso coração e nossa consciência para os problemas que chegam junto com o frio. Solidariedade é um valor que precisa ser estimulado. Não sou favorável ao individualismo e ao “cada um por si”, ou ao “eu não tenho nada a ver com isso”.

Por isso, eu venho insistindo: doe agasalhos! Aquece o teu coração e o coração de alguém que precisa.

Lei é para ser cumprida

3 ago

Assisti agora a pouco no CQC a matéria sobre o Estatuto do Torcedor. Acho, sinceramente, que a posição dos “homens de preto” é anarquista, ao repelir algumas das novas legislações como é o caso da Lei da Palmada, ou agora o Estatuto do Torcedor.

Eu, como todos sabem, sou freqüentadora do estádio Beira Rio, do meu Inter. Da mesma forma, quem me conhece tem ciência que meu lugar no estádio é atrás do gol, na Guarda Popular Colorada, lugar onde se canta e vibra durante os 90 minutos, sendo que nos últimos 05 minutos de jogo (seja contra quem for) há a tradicional musiquinha “Atirei o pau no Grêmio”, que tem em seu conteúdo palavrões, machismo, homofobia, e mais um montão de coisas. Mesmo assim (confesso meu pecado) eu canto e participo da coreografia.

O que quero dizer com tudo isso é que, muitas vezes as regras criadas podem conter exageros, como no caso do Estatuto do Torcedor, achar que conseguirá coibir que milhares de torcedores gritem palavrões. Neste caso, concordo com o Rafinha Bastos, quando diz que quem vai gostar disso é o Galvão Bueno. Mas, não acredito que ele venha ao Beira Rio e não escute a massa colorada gritar em coro “Ei, Galvão vai tomar no piiiii!”.

Agora, mesmo achando que existam exageros, penso que contem avanços que merecem ser saudados. Eu, por exemplo, já escrevi aqui no blog sobre o absurdo que é pagar rigorosamente minha mensalidade de sócia e não conseguir ir ao jogo porque os cambistas já surrupiaram todos os ingressos.

O grande problema que vejo é que as Leis acabam caindo no descrédito, como por exemplo a Lei Seca para motoristas. Uma pena, pois é uma aberração o número de mortes que acontecem no trânsito, muitas delas ocasionadas por assassinos bêbados que usam veículos como armas.

Da mesma forma, já reclamei da Lei Maria da Penha, ao vermos algumas vítimas fatais que tem o antecedente de denunciar diversas vezes seus carrascos.

Rio Grande do Sul, do Brasil, do Mundo…

27 jul

Barreto – o especialista (em sexo dos anjos)

25 jul

Já estou há algum tempo sem escrever aqui, pois falta-me tempo. Tenho muitas coisas para contar, mas confesso que agora, 3h30 da manhã, não tenho muita disposição e estou bastante cansada, mesmo assim, vou tentar falar sobre um fato que me deixou bastante indignada – furiosa, para ser mais exata.

Assisti à reportagem do nosso presidente Lula, no qual ele se emocionou e chorou ao falar daquelas pessoas que ainda sofrem com a extrema pobreza.

Como sabemos, as emissoras de televisão conseguem achar “especialistas” para tudo, inclusive para o sexo dos anjos. Pois foi um desses ditos especialistas, com um tal título de cientista político, um rapaz que não lembro o primeiro nome, mas com certeza seu sobrenome é Barreto, que deu a opinião mais revoltante que alguém poderia ter dado, acerca da emoção que tomou conta de Lula.

Disse, mais ou menos o seguinte, o tal moço metido a sabe-tudo: “O presidente Lula tem como principal característica a esperteza para comover as pessoas. Suas lágrimas revelaram mais uma artimanha, uma jogada de marketing do presidente. É desta forma que ele mantém sua popularidade”.

Já que estamos falando de um “cientista” político, gostaria de ter a oportunidade de pedir ao moço dotado de tão profunda análise científica que me explicasse algumas coisas que minha parca inteligência não conseguiu alcançar. Por exemplo: esperteza, malandragem e jogada de marketing, só tem sentido se for para obter alguma vantagem.

No caso de Lula, a popularidade só lhe seria vantajosa se ele tivesse que angariar simpatia popular para receber votos, por exemplo. Entretanto, o presidente não é candidato a nada. Como será que o nosso cientista, se questionado, me explicaria isso? Mas, por óbvio, ele não foi e nem será questionado, pois os veículos colocam um babaca qualquer, com o nome de especialista, para falar qualquer caca e isso passa a ser considerado verdade absoluta.

O que eles jamais vão conseguir engolir é que a popularidade de Lula vem precisamente do fato de ele não precisar dissimular, vem do fato de Lula ser um homem comum, que sente, que se emociona, que se indigna e chora diante do fato de ainda haverem pessoas que não têm um prato de comida. A popularidade do Lula, senhor Barreto, vem do fato de ele ser gente. Gente como a gente.

Caravana digital reúne mais de uma centena de militantes em Porto Alegre

17 jul

Nesta sexta-feira (16), o Rio Grande do Sul recebeu a Caravana Digital, evento organizado pela campanha à presidência da candidata Dilma Rousseff, e que está percorrendo diversos estados brasileiros para debater a importância e a utilização da internet e das redes sociais nas campanhas eleitorais.

Coordenada pelo especialista na área e em software livre, Marcelo Branco, a caravana gaúcha foi realizada no comitê da Unidade Popular pelo Rio Grande (Barros Cassal, 68) e foi transmitida ao vivo pela internet. Mais de uma centena de militantes digitais participaram da reunião, que ainda contou com uma exposição do professor e jornalista Vitor Necchi.

Ao encerrar sua intervenção na caravana, o candidato da Unidade Popular pelo Rio Grande convocou os internautas:

-Tuiteiros de todo o Rio Grande e de todo o Mundo, uni-vos.

Conforme especialistas, o assunto #caravanadigital foi um dos mais falados no twitter nesta sexta.

Do site: tarso13.com.br

Combater a homofobia

15 jul

Pois bem! Argentina de Cristina Kirchner é pioneira na América Latina a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que sem dúvida representa um marco nos direitos civis. Mas, isso não me interessa.

O que me importa é o passo decisivo dado pelos hermanos no enfrentamento a um dos mais graves preconceitos, que tem como consequência a morte violenta de centenas de homossexuais.

A homofobia foi responsável pela morte 198 homossexuais em 2009 (117 gays, 72 travestis, e 09 lésbicas). Em 2008 foram 189 mortes, segundo um relatório do Grupo Gay da Bahia. A entidade que há três décadas coleta informações sobre homofobia no país, informa que Bahia e Paraná são os Estados com o maior índice de homicídios contra homossexuais. O relatório afirma, ainda, que entre 1980 e 2009 foram mortos 3.196 gays no Brasil.

Essa é a questão a ser enfrentada. Os direitos civis são respeitáveis. A garantia na Lei é importante. Entretanto, se não criarmos uma nova cultura aberta de convencionalismos, se não educarmos nossas crianças livres de preconceitos e, ainda, se não houver a criminalização da homofobia, ainda assistiremos homens e mulheres tendo suas vidas ceifadas por bandidos que se intitulam detentores da moral.

De que lado você está?

12 jul

Condoleezza Rice não só é mulher, como é negra. Hillary Clinton é mulher. Yeda Crusius é mulher. Ana Amélia Lemos é mulher.

A condição de gênero, ou de raça, não determina a condição e o compromisso de classe de quem quer que seja. Os exemplos acima abonam provas inequívocas de que não basta ser mulher para que se tenha compromisso com a emancipação das mulheres. Até porque, no meu singelo entendimento, a emancipação das mulheres (ou dos negros) está intimamente ligada à emancipação da classe operária e dos trabalhadores.

De tal maneira que seria bizarro associar qualquer uma destas mulheres, acima citadas, a emancipação social e ao compromisso com a classe trabalhadora. Ou, no mínimo, uma visão profundamente equivocada de feminismo, definida filosoficamente como “sexismo”, que na minha compreensão, precisa ser combatida, já que a luta das mulheres não é e não pode ser uma luta contra os homens, em especial da sua própria classe.

Faço estes registros, pois estamos diante de uma disputa que vai determinar o futuro brasileiro, em diversas instâncias do poder. Eu, que defendo a candidatura de Dilma Rousseff, não posso me limitar a dizer que o faço pelo fato de Dilma ser mulher, simplesmente. Defendo a candidatura desta mulher porque ela representa a continuidade e a possibilidade de aprofundamento do projeto de desenvolvimento do Brasil, iniciada por um homem, o presidente Lula.

Da mesma forma, que meu candidato a governador é um homem: Tarso Genro. E, me oponho com fervor à Yeda Crusius, a mulher que disputa a reeleição no Rio Grande do Sul, pois está exatamente na contramão do projeto acima referido. Representa a estagnação e o retrocesso econômico e social de um dos Estados mais promissores do nosso país. Sem contar que combate com a força armada os movimentos sociais dos trabalhadores, numa verdadeira afronta à democracia.

Não é diferente na disputa pelas duas vagas do Rio Grande do Sul ao Senado Federal. Eu cresci assistindo Ana Amélia Lemos fazer política, defender os interesses dos poderosos, através da maior rede de comunicação do Estado – a RBS (PIG do Rio Grande) e de repente, vemos ela diante das nossas televisões, descaradamente dizer que “agora vai entrar para a política”. Em primeiro lugar esta mulher só pode estar debochando da capacidade intelectual do povo gaúcho, não é?

Pois para enfrentar este discurso retrogrado e para mostrar que não basta ser mulher, que dispomos no RS de uma outra mulher nesta disputa. Ainda pouco conhecida, é verdade. Mas, por conhecê-la desde muitos anos, tenho plena convicção de que bastará iniciar os debates e o Rio Grande vai se orgulhar de ter Abgail Pereira como candidata ao Senado.

E não é só uma mulher, não! Trata-se de uma mulher de longa trajetória na luta de gênero. Aliás, quando eu a conheci ela presidia a UMCA (União de Mulheres Caxienses). Sempre esteve à frente da defesa do feminismo.

Mas, como disse acima, não dá para dissociar a luta de gênero das questões de classe. Por isso mesmo, a história de Abgail Pereira sempre foi ligada ao movimento sindical. Ela já foi presidente do sindicato da sua categoria e, por sua firmeza e determinação na defesa dos trabalhadores, esteve à frente de entidades nacionais, sendo atualmente a Secretária Nacional das Mulheres da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

Entretanto, não podemos esquecer que temos DOIS votos para o Senado. Por isso, vou votar também para reeleger o Senador Paulo Paim.  Homem. Mas um homem que sempre honrou seus eleitores e o povo gaúcho, destacando-se como um dos principais defensores dos interesses dos trabalhadores no Senado do país. Logo, para o Senado votarei numa mulher e num negro, mas não pela condição de gênero ou de raça. Pela condição e compromisso de classe de ambos.