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Carnaval de Porto Alegre – Novos Rumos

12 jun

Hoje participei do Seminário Carnaval – Novos Rumos, promovido pela AECPARS (Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul), na quadra do Império da Zona Norte que, diga-se de passagem, está tão linda que faz inveja a qualquer Entidade carioca.

Foi um evento gigantesco e de altíssima qualidade. Lá estiveram grandes nomes como a querida Margarete Moraes, ex-secretária de cultura de Porto Alegre, ex-vereadora e atual diretora do Ministério da Cultura. Também estiveram dirigentes das mais diversas Escolas de Samba de Porto Alegre, de outros município do Rio Grande do Sul e também do Rio de Janeiro.

Aliás, do Rio de Janeiro estava a nata. Do presidente da Liga das Escolas de Samba do RJ, Jorge Castanheira – o Jorginho – até Elmo José dos Santos, ex-presidente da Mangueira e atual diretor de Carnaval da LIESA.

Esse ‘até’, serve para destacar o que Cláudio Brito, nosso ilustre divulgador do carnaval gaúcho para o Brasil, fez questão de dizer, ao falar das Escolas cariocas, onde não citou a Mangueira, pois para ele, ela não se enquadra na simples denominação de GRES (Grêmio Recreativo Escola de Samba). E eu concordo, pois falar da Estação Primeira de Mangueira é falar de algo transcendental.

Então fiquei pensando sobre o que me faz ser afeiçoada pelo carnaval. Mas, seria chover no molhado dizer da minha emoção ao ouvir a sirene tocar na concentração para o desfile. Também ocuparia lugar comum dizer que a batida do tantã se confunde com a do meu coração.

Tudo isso e mais um pouco quem me conhece sabe que é verdade. Então, do ponto de vista racional, simplesmente, vou listar alguns motivos:

Na Escola de Samba há harmonia racial, negros e brancos convivem fraternalmente, com respeito às suas diferenças.

Na Escola de Samba os idosos são respeitados e, mais do que isso, são exaltados pela imensa contribuição que ofertou ao longo da vida. E, a Velha Guarda é mais do que uma ala no desfile. Trata-se de um espaço de relevo.

Na Escola de Samba a homofobia não encontra morada e os gays e travestis ocupam lugar de destaque.

A quadra de uma Escola de Samba tem função pública de sociabilização, muitas vezes sendo o único local de convívio social de boa parte de seus frequentadores.

Na quadra das Escolas de Samba também se desenvolvem atividades de inclusão social, nas áreas da educação, cultura, esporte, saúde, etc.

A sociedade Escola de Samba é um ambiente que congrega a família, do bebê ao bisavô, promovendo a transferência da herança geracional de amor e culto às raízes do samba.

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O Barão Policarpo

11 jun

Dias desses falei por aqui sobre a noite de Porto Alegre, da qual eu sentia saudade. Já não frequento mais as madrugadas e sua realidade díspar, onde todos os gatos são pardos e, ao mesmo tempo multifacetados. Porto Alegre, para quem não sabe, sempre teve uma boemia instigante.

Para que alguns tenham ideia, lá pelos anos de 1940 a 1950, por exemplo, Policarpo Nunes da Silva, o Barão, figura nascida lá pras bandas de Rio Pardo, era um anfitrião de primeira. A sua casa era sede de realização de aniversários, casamentos, ou qualquer outro motivo para reunir muitos amigos em uma roda do melhor samba, com aquele papo gostoso e cerveja estupidamente gelada.

Pois foi justamente essa característica de aglutinador que fez com que o Barão Policarpo inspirasse o nome de uma das melhores casas que acabo de conhecer na capital gaúcha: a Casa do Barão, inaugurada em 2009, é uma casa de samba temática, que oferece aos frequentadores um amplo cardápio de petiscos ou, à gosto do cliente, jantar com alguns dos pratos típicos da culinária gaúcha.

Mas, o diferencial da Casa do Barão está na música do ambiente: a Banda da Lapa se apresenta cotidianamente ofertando aos amantes do samba um primoroso menu do que há de melhor na produção desta cadencia brasileira.

Mas, além da Banda da Lapa, é possível ser brindado por algum outro artista com uma canja especial, como a do guerreiro noturno Ademar Quadros pois quem tiver a sorte que tive, chega à casa no dia do aniversário da sua filha, a cantora Cláudia Quadros (foto), dona de uma aveludada voz, que comemora a data cantando.

E, para matar um pouco da minha saudade, num dos banquinhos da Banda da Lapa estava Claudio Barulho, artista de primeira linha, autoridade do carnaval porto-alegrense e, acima de tudo um obstinado das madrugadas que canta e encanta, que alimenta a alma, que te embala o coração.

Ah, também não posso deixar de registrar que o casal de proprietários e os garçons são pessoas altamente simpáticas e atenciosas. Por tudo isso, eu indico: visite a Casa do Barão.

Em tempo: Prometo a vocês que, brevemente, trarei algumas curiosidades sobre a Cláudia Quadros – ou nossa querida amiga Claudinha, que além de ser uma maravilhosa cantora é assessora do Senador Paim. Já combinamos de fazer um bate-papo para publicar por aqui. Mas, além de entrevistar a Claudinha, combinei de conversar também com o pai dela, o Sr. Ademar Quadros, uma lenda viva da noite e do samba de Porto Alegre. Aposto que teremos muita coisa boa para nos deleitarmos.

Loucura

3 jun
De Lupicínio Rodrigues interpretado por Maria Bethânia
E aí
Eu comecei a cometer loucura
Era um verdadeiro inferno
Uma tortura
O que eu sofria
Por aquele amor
Milhões de diabinhos martelando
O meu pobre coração que agonizando
Já não podia mais de tanta dor
E aí
Eu comecei a cantar verso triste
O mesmo verso que até hoje existe
Na boca triste de algum sofredor
Como é que existe alguém
Que ainda tem coragem de dizer
Que os meus versos não contêm mensagem
São palavras frias, sem nenhum valor
Oh! Deus, será que o senhor não está vendo isso
Então, porque é que o senhor mandou Cristo
Aqui na terra para semear amor
E quando se tem alguém
Que ama de verdade
Serve de riso pra humanidade
É um covarde, um fraco, um sonhador
Se é que hoje tudo está tão diferente
Porque não deixa eu mostrar a essa gente
Que ainda existe o verdadeiro amor
Faça ele voltar de novo pro meu lado
Eu me sujeito a ser sacrificado
Salve seu mundo com minha dor

O que importa é ter um samba…

3 jun

Dizem que as pessoas quando vão ficando velhas, tornam-se saudosistas, o que é absolutamente natural, à medida que certas coisas vividas e bem vividas não voltam jamais. O que também, cá pra nós, é muito bom.

Assim, cá me vejo abarrotada de saudade de Porto Alegre. Mas, não se adiante em acreditar que não estou na capital dos gaúchos, que me bandeei para outras querências. Não. Estou sim na minha querida e amada cidade de Porto Alegre. Minha saudade é dos velhos e bons tempos de quando aqui aportei, precisamente em 1992.

Também saudade dos primeiros e – devo confessar – mui difíceis primeiros anos andando nas ruas de um porto (por vezes) não muito alegre que, no entanto, já disse Elaine Geissler, me trouxe encanto e um pôr de sol que me traduziu em versos…

Então, brincando de passear na memória desta linda terra, me vejo a caminhar pelas madrugadas frias, de garoa cerrada, pelas ruas do Centro e da Cidade Baixa, meus primeiros paradouros.

Logo na chegada descubro, bem no coração da cidade, na Marechal Floriano, entre a Jerônimo Coelho e a Duque de Caxias um cantinho da mais bucólica e autêntica boemia. As serestas, o samba-canção e seus intérpretes me envolveram e me fizeram embrenhar naquele mundo arrebatador e romanesco que somente as madrugadas habita.

Lá estava eu no Bar Adelaide’s, que outrora havia tido entre seus frequentadores Lupicinio Rodrigues, Johnson, Plauto da Flauta, entre outros. Entretanto, devo garantir que os frequentadores da época que lá cheguei, não tinham naipe inferior a estes, ao contrário, também eram de altíssimo gabarito.

No Adelaide’s eu reencontrei alguns amigos como o Tiganá, o Cauby e o Fininho, que havia conhecido ainda em Caxias do Sul. Lá, apresentado pelo Cauby, tive o imenso privilégio de conhecer um dos maiores nomes que o samba gaúcho produziu: Jorge Moacir da Silva – o Bedeu, de quem eu já ouvia e cantava “minha preta, eu ando calado, sofrido tal qual um samba-canção, das dores que trago no peito, se perdem em acordes do meu violão”…

Foi lá também que conheci amigos que ficaram para sempre, como Marcelo Xavier e Marcelo Kará, por exemplo. Todas estas pessoas são aquelas que Túlio Piva definiu como “gente da noite que não liga preconceitos, que tem estrelas na alma e a lua dentro do seu peito”.

Aliás, falando em Túlio Piva talvez recorrendo a ele, consiga definir minha saudade dizendo que naqueles bons tempos eu pensava que a lua pendurada no céu fosse um pandeiro de prata, pois foi na batida do samba de Porto Alegre que eu aprendi meus primeiros passos. E, sinceramente, não me importa que tudo me traga dissabores se eu tiver o samba para cantar amores.

Mais simples

11 maio

Todo mundo irá supor que és feliz…

10 maio

Sorri

Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Tem coisas que são eternas

29 abr

Música de Edson Ribeiro e Hélio Justo, gravada pela primeira vez em 1968… e para mim eternizada em 28/11/1984 e em 08/09/1989!